Que fazer com a inundação de mensagens relacionadas com o RGPD?

Recebeu e continua a receber uma inundação de mensagens com atualizações sobre a política de privacidade relacionadas com a GDPR?

É impossível não ter notado numa enxurrada de e-mails e notificações que as organizações nos enviaram nas últimas semanas a informar sobre as alterações nas suas políticas de privacidade.

politicas privacidade

 

Por favor, NÃO as ignore.

Sim, de facto, concordamos que é uma questão chata. Mas resista à tentação de excluir imediatamente esses e-mails ou fechar os notificações imediatamente. Eles podem conter dados importantes sobre como gerir a sua privacidade digital numa altura em que ficou claro que os nossos dados on-line estão muito longe de estarem seguros .

Todas essas mensagens de privacidade estão a parecer neste momento porque foi publicada à cerca de 2 anos uma lei chamada de Regulamento Geral de Proteção de Dados e que entrou em vigor em toda a União Européia a alguma semanas atrás. A lei foi anunciada como a mais forte defensora do mundo dos direitos de privacidade digital. E, embora tenha sido projetada para os europeus, a natureza sem fronteiras do mundo on-line tem praticamente todas as entidades comerciais que acedem à Web, a fazer alterações aos seus websites e aplicações para a poderem cumprir.

A lei de regulação de dados concentra-se sobretudo em dois princípios. O primeiro é que as organizações precisam do seu consentimento para recolher os seus dados. O segundo é que deve partilhar simplesmente os dados necessários para que os seus serviços funcionem.

Danny O’Brien, diretor da Electronic Frontier Foundation, referiru esta analogia: “Uma empresa de bolos de aniversário precisa do seu nome para decorar o seu bolo de aniversário. Como são dados indispensáveis, não pode negar-lhes o consentimento para utilizar esses dados, senão não podem decorar o seu bolo.”

Se as organizações não cumprirem as novas regras, podem ser multadas em até 4% da sua receita global. Mas deve esperar que as organizações que dependem da publicidade trabalhem afincadamente para persuadirem o maior número possível de pessoas a dar o seu consentimento para que recolham o máximo de dados possível. As organizações podem fazer isso pedindo as pessoas para darem a sua permissão que muitas vezes são imensamente complicadas de recusar.

Portanto, para garantir que beneficia da nova lei e ajudar a compreender e a examinar as novas políticas de privacidade que todos estamos a receber. Aqui fica o que deve pesquisar.

 

Organizações querem ‘Consentimento’

Vamos começar com esses e-mails e alertas desagradáveis. Alguns websites estão a utilizar os e-mails não apenas para nos informar das suas novas políticas de privacidade, mas também para “pedirem” o nosso consentimento.

Quora , o website de perguntas e respostas, enviou um email esta semana a dizer que a sua política de privacidade foi atualizada. No final da mensagem, aparece uma frase a dizer que “a utilização continuada do serviço será considerada como uma aceitação dos seus termos de privacidade atualizados”.

Um porta-voz da Quora afirmou que a empresa cumpriu a nova lei de dados procurando o consentimento dos utilizadores quando necessário. A empresa afirmou que o e-mail a explicar as alterações específicas na sua política de privacidade era um e-mail informativo e não exigia consentimento, mas que iria atualizar o idioma de acordo com o seu e-mail para ser menos ambíguo.

Outros websites estão a utilizar alertas pop-up para conseguir o consentimento. O empresário de roupas Taylor Stitch, por exemplo, ultimamente começou a mostrar um banner que explica como os cookies são utilizados ​​para controlo na web. Ao fechar o banner ou interagir com o website, supostamente o visitante concorda com os termos de recolha de dados do website.

Aqui está o problema: as organizações sabem claramente que raramente (ou jamais) lemos políticas de privacidade. Além disso também sabem que achamos os alertas irritantes, porque aparecem assim que estamos no meio de outra tarefa.

Mas se os ignorarmos, podemos estar, sem querer, a dar consentimento para que mais dados sejam compartilhados do que realmente queremos distribuir.

“Esse método do pop-up é sem duvida algo que me preocupa, neste momento são realmente mais importantes do que eram antigamente”, afirmou Gennie Gebhart, investigadora que acompanha as questões de privacidade da Electronic Frontier Foundation.

 

Encontre os novos controlos de privacidade

Se saltou a leitura dos e-mails e alertas, pode ter perdido os novos controlos de privacidade que as organizações de internet introduziram ultimamente. Normalmente, não são muito fáceis de encontrar, mas vale a pena explorá-los porque pode haver novos métodos para minimizar a quantidade de dados partilhados.

O Twitter, no ultimo e-mail relacionado com a privacidade da empresa de meios de comunicação social mencionou que as pessoas neste momento podem ver e controlar com mais clareza como é que os seus dados são partilhados com os seus parceiros de negócios.

 

Como controlar os nossos dados no Twitter

Junto à parte inferior do menu de parametrizações do Twitter passou a existir um botão chamado “Os seus dados do Twitter”. Aqui, pode ver o número de empresas de publiciade que estão a tentar “segmenta-lo” com base nos seus interesses. Também pode desativar essa publicidade que lhe enviam baseada em interesses.

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Quando usei a ferramenta, descobri que acima de 600 empresas de publicidade tinham os meus dados de contato e optei por não partilhar mais dados com o programa de anúncios.

 

Como controlar os nossos dados no Facebook

O Facebook, que tem estado sob escrutínio por causa da recolha indevida de dados dos utilizadores por parte da empresa de análise política Cambridge Analytica, também atualizou os seus controlos de privacidade .

Uma das ferramentas mais recentes do Facebook é chamada de “Verificação de privacidade” , que pode ser encontrada num menu denominado “Atalhos de privacidade”. Quando executa o check-up com a APP do Facebook, ele passa rapidamente pelas pessoas com as quais partilha suas publicações, por defeito, as dados mostrados no seu perfil e as aplicações com as quais partilha os seus dados.

facebook

Também dentro do menu de parametrizações da aplicação do Facebook há um botão denominado de “Anúncios”. Isso leva-nos as nossas preferências de anúncios, onde podemos ver quais as empresas de publicidade têm os seus dados de contato e ai pode controlar os tipos de anúncios que autoriza que lhe sejam mostrados.

Por exemplo, pode sempre desativar a exibição de anúncios com base nos dados como o seu status de relacionamento, empregador, cargo e histórico educacional. Também pode desativar a exibição de anúncios com base na sua atividade noutros produtos de propriedade do Facebook, como a APP de mensagens WhatsApp ou o sistema de realidade virtual Oculus.

Estes são apenas dois exemplos de grandes websites de redes sociais. Que produtos e serviços de tecnologia você utiliza mais? Disponibilize um momento para analisar as suas parametrizações de privacidade para ver se há novas restrições que possa utilizar relativamente aos seus dados.

 

Pode sempre deixar de utilizar

Uma grande parte da nova lei de dados é que ela exige que as organizações ofereçam formas de extrair-mos os nossos dados e levá-los para um novo serviço. Google, Facebook e Twitter oferecem a oportunidade de descarregar os seus próprios dados, e alguns desses recursos foram expandidos antes da entrada em vigor da nova lei de dados.

Esteja ciente de que outros produtos de internet que já utiliza devem em breve oferecer ferramentas semelhantes para poder extrair os seus dados. Se não concordar com a nova política de recolha de dados da empresa, tente fazer o download dos dados para verificar se pode exercer o seu direito de levar os seus dados para um produto melhor.

 

Cuidado com a portabilidade de dados

Nem todos os utilitários de portabilidade de dados são iguais. Já tentei descarregar os meus dados do Google e do Facebook e descobri que a ferramenta de portabilidade de dados do Google, chamada Takeout, era superior à do Facebook. O Google deu maior transparência às dados recolhidos e forneceu mais opções aos dados que eu podia migrar para produtos concorrentes.

E se a portabilidade dos seus dados não funcionar, lembre-se de que pode sempre excluir a sua conta. A nova lei de dados exige que as organizações ofereçam meios para que os utilizadores europeus excluam permanentemente as suas contas e consequentemente todos os seus dados a ela associados. As organizações podem optar por não oferecer a mesma opção para pessoas fora da Europa.

António Almeida

António Almeida

Licenciado em engenharia Informático e Telecomunicações, mestre em Sistemas e Tecnologias de Informação e doutorando em Informática é um apaixonado por todo o tipo de tecnologia. Apostava na troca de informações e acaba de criar uma rede de informáticos especialistas interessados em tecnologia.

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