Portugal é um dos países mais inovadores

A quota de empresas inovadoras no país, em relação ao todo do tecido empresarial, está acima da média europeia, de acordo com um relatório da Comissão Europeia.

Apesar de o investimento em investigação e desenvolvimento, estar abaixo da média da União Europeia , a percentagem de empresas consideradas inovadoras face ao restante tecido económico, em Portugal, está acima – de acordo com o relatório  da Comissão Europeia, «Política industrial:  Reforçar a competitividade».

Segundo o sistema de  avaliação adoptado, o indicador tem um desvio positivo de meio ponto. Mas embora o país esteja melhor do que a  Europa em termos de serviços de e-government, a utilização dos mesmos pelas organizações está ligeiramente abaixo  do patamar geral europeu.

O relatório evidencia ainda que apesar de o tempo necessário para constituir uma empresa seja em Portugal menor do que o tempo médio europeu, o quadro regulatório e legal, assim com o seu peso, é pior – quase um ponto negativo – para as empresas. Abaixo da média – quase um ponto e meio – estava também, em 2008, a taxa de sobrevivência das organizações após dois anos de actividade.

O indicador no qual Portugal tem pior desempenho é no tempo de pagamento gasto pelo sector público às empresas. O desvio negativo é de um ponto e meio, assumindo particular importância: uma das recomendações que a Comissão faz para fomentar a recuperação económica é precisamente a redução do tempo de pagamento – em conformidade com a directiva europeia dos Pagamentos Atrasados.
A directiva obriga o sector público a efectuar os pagamentos até 30 dias, e Portugal é reconhecido com um país no qual haverá dificuldades cumprimento. Mas o pagamento atempado será uma forma de proteger a PME e o empreendedorismo, na visão da Comissão.

Outra das recomendações explícitas na análise sobre as políticas dos estados para indústria e de reforço da competitividade passa pela promoção da concorrência entre fornecedores de serviços de banda larga.

De acordo com o relatório, as fraquezas do país continuam a ser o fraco  investimento das empresas em Investigação e desenvolvimento (I&D) e o baixo nível de exportações de produtos de alta tecnologia. O relatório baseou-se em números de 2009, durante o qual, em Portugal, esse investimento representou 1,7% do PIB, quase metade no sector privado.
No geral, Portugal está numa posição desfavorável, em competitividade, com um padrão de mudança misto: os serviços intensivos em conhecimento, o investimento em I&Dm e os segmentos de alta qualidade melhoraram; enquanto o fabrico intensivo em conhecimento e os segmentos de baixa qualidade  sofreram uma deterioração.

Segundo um comunicado da comissão “a recuperação económica da União Europeia depois da crise tem sido relativamente lenta e continua frágil, o que se reflecte no facto de o índice de sentimento económico ter baixado em toda a economia europeia”. O organismo alerta para os riscos  “de revisão em baixa”, devido à evolução dos mercados financeiros, do aumento dos preços da energia e das matérias-primas, assim como das necessidades de consolidação orçamental. Curiosamente  defende que “a indústria da UE está em boa forma e tem potencial para pôr a economia europeia de novo na via do crescimento”

Principais recomendações
Segundo o comunicado da Comissão Europeia,  e essencial reforçar a competitividade da indústria europeia a nível mundial, já que 75% das exportações da UE provêm de empresas transformadoras, também responsáveis por 80% da R&D industrial. O relatório identifica as seguintes áreas-chave nas quais a competitividade da economia da União Europeia pode ser reforçada, a fim de dar passos significativos rumo aos objectivos da estratégia «Europa 2020»:
1) Facilitar as mudanças estruturais na economia, a fim de avançar para sectores mais inovadores e assentes no conhecimento, caracterizados por um crescimento de produtividade mais elevado e que sofreram menos com a concorrência mundial (como as eco-indústrias, equipamento eléctrico e óptico);
2) Fomentar a inovação nas indústrias, nomeadamente pela conjugação dos recursos limitados, reduzindo a fragmentação dos sistemas de apoio à inovação e aumentando a vocação comercial dos projectos de investigação. Os mercados de tecnologias capacitantes essenciais (nomeadamente as nanotecnologias, os materiais avançados, a biotecnologia industrial), por exemplo, deverão crescer até 50% até 2015, criando milhares de novos postos de trabalho de elevado valor acrescentado.

3) Promoção da sustentabilidade e eficiência dos recursos, em particular, promovendo a inovação e a utilização de tecnologias menos poluentes, garantindo o acesso justo e a preços equitativos das matérias primas e da energia e, bem assim, modernizando a interligação das redes de distribuição de energia;

4) Melhorar o ambiente empresarial, nomeadamente pela redução dos encargos administrativos que pesam sobre as empresas e pela promoção da concorrência entre os prestadores de serviços que utilizam a infra-estrutura da banda larga, da energia e dos transportes;

5) Tirar pleno partido do Mercado Único, apoiando serviços inovadores e aplicando cabalmente a regulamentação relativa ao Mercado Único, em especial a Directiva Serviços. Da aplicação plena desta Directiva poderão resultar ganhos económicos que se cifram em cerca de 140 mil milhões de euros a nível da UE, o que representa um potencial de crescimento de 1,5% do PIB;

6) Apoiar as pequenas e médias empresas (PME), nomeadamente favorecendo o acesso ao financiamento, facilitando a internacionalização e o acesso aos mercados e, bem assim, velando por que as administrações públicas reduzam os prazos de pagamento.

António Almeida

António Almeida

Licenciado em engenharia Informático e Telecomunicações, mestre em Sistemas e Tecnologias de Informação e doutorando em Informática é um apaixonado por todo o tipo de tecnologia. Apostava na troca de informações e acaba de criar uma rede de informáticos especialistas interessados em tecnologia.

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