Os servidores secretos do Google

Até que ponto o Google esconde do resto do mundo a configuração do o seu hardware das suas centrais de dados?

Numa central de dados do Vale do Silício, a empresa aparentemente ficou paranóica com os concorrentes que espiam os seus equipamentos, que resolveu manter os seus servidores totalmente no escuro, vestindo as equipas técnicas como mineiros e enviando-os para explorar as cavernas com luzes na cabeça.

“Muitas [empresas] tentam acobertar as coisas. Existe muita propriedade intelectual valiosa aqui”, diz Chris Sharp, gerente geral de conteúdo e nuvem na Equinix, conforme ele passa pela central de dados da empresa. “Mas nós sempre ficamos fascinados com o Google e seus capacetes”.

O Google é um dos muitos grupos de renome na web que alugam espaço na central de dados da Equinix – uma empresa cujas instalações massivas de computadores servem como hubs para os maiores fornecedores de internet do mundo. Todos os grandes nomes da web se instalaram nestas centrais de dados, para que eles também pudessem se conectar ao hub. A ironia é que eles também precisam dividir espaço com seus maiores concorrentes, e isso pode causar algum desconforto com empresas que veem o hardware como uma vantagem competitiva que é melhor se for escondida dos outros.

Cerca de dois anos atrás, segundo Chris Sharp, o Google tirou todas as lâmpadas que ficavam dentro das gaiolas de hardware que ele ocupava na central de dados da Equinix. “Eles fizeram com que nós desligássemos todas as lâmpadas no alto também, e os funcionários deles colocaram aqueles capacetes com luzes que você vê mineiros usando”, ele conta à Wired. “Supostamente, eles estavam trazendo equipamentos customizados que eles não queriam que mais ninguém visse”.

O Google se recusou a comentar a historinha de Sharp. Mas ela não é tão surpreendente. O Google projeta seus próprios servidores e seu próprio equipamento de rede, e apesar de ainda alugar espaço em centrais de dados de terceiros como as instalações da Equinix, ele está agora projetando e construindo suas próprias centrais de dados também. Esses projetos são feitos para melhorar o desempenho dos serviços web da empresa, mas também para economizar energia e dinheiro. Muito mais do que qualquer outro equipamento, o Google vê o seu trabalho na central de dados como uma importante vantagem em cima dos competidores.

Dito isto, o Google na verdade se soltou um pouco nos últimos anos. Em 2009, a empresa abriu uma janela na primeira central de dados sob medida que havia construído cinco anos antes, e tem discutido partes de suas novas instalações. Mas muitas de suas operações permanecem um mistério.

Alguns acreditam que isso deveria mudar. O Facebook agora projeta seus próprios servidores e centrais de dados e como uma resposta direta à abordagem do Google, a rede social tornou os seus projetos “open source”, na esperança de encorajar colaboração em projetos pela indústria. Dessa maneira, segundo o Facebook, iria permitir que o resto do mundo economizasse energia de maneira muito similar à que o Google fez e por fim, salvar o planeta.

Várias empresas já adotaram essa postura, incluindo o Netflix, a empresa de dados na nuvem com sede no Texas, Rackspace, e a gigante japonesa de tecnologia, NTT Data. Mas outros ainda preferem manter seu hardware em segredo.

Hospedado com o inimigo

Amazon, por exemplo, tem uma abordagem similar ao Google. A empresa diz muito pouco sobre as instalações que controla, ou o hardware nestas instalações. Aparentemente, a empresa está trabalhando com vendedores de servidores tais quais a ZT Technologies para customizar os seus servers, e copiou o Google para construir suas centrais de dados com contêineres de carga modulares. Mas não está claro quão longe a empresa foi rumo a projetar e construir seu próprio hardware.

Esta semana, a internet está repleta de especulações sobre quantas máquinas estão sustentando o elástico serviço de computação na nuvem da empresa.

No Google, os funcionários assinam rigorosos acordos de não divulgação que os impedem de discutir o que acontece dentro das centrais de dados da empresa – e aparentemente, este acordo é aberto. Isso sozinho coloca uma proteção nos segredos mais profundos do Google. Nós vimos do Acordo de não divulgação em ação – muitas vezes. Mas para o Google, e outros, existe um problema extra quando eles se instalam em um lugar compartilhado como as centrais de dados administradas pela Equinix.

A origem do medo é que você está dividindo espaço com competidores. A Equinix anuncia as suas centrais de dados como lugares onde gigantes da web podem melhorar o desempenho ao conectar seu equipamento diretamente nas maiores provedoras de internet do mundo – e entre si. A empresa começou oferecendo um serviço – o Internet Core Exchange – que conectava todos os maiores provedores de internet, e agora permite que outros equipamentos se conectem neste hub de provedores.

De acordo com Sharp, mais de 70 provedores usam o centro de dados principal da empresa em San Jose, Califórnia. “Nós éramos um lugar para operadores de rede conseguir controlar o tráfego de maneira eficiente, e foi esse legado que criou a Equinix”, diz Sharp. “Não apenas as redes estão aproveitando para se conectar uma à outra, mas [os websites] também estão.”

A segurança é alta nas instalações das empresas. Leitores da geometria das mãos – ou seja, leitores de digitais que vão além das digitais – guardam acesso ao andar da central de dados. Tem uma câmera de segurança olhando para você cada vez que você se move. E cada empresa guarda seu equipamento em suas próprias gaiolas, protegidos por ainda mais leitores de mãos. Mas se você estiver no chão, pode espiar as gaiolas. Para fins de resfriamento, eles não são murados.

Enquanto algumas empresas mostram o logo com orgulho no lado das máquinas, os Googles do mundo fazem o que podem para se esconder. Para evitar que os competidores espiem seu equipamento, Sharp diz, muitas empresas deixam as luzes dentro das gaiolas desligadas quando ninguém está olhando. Outros vão ainda mais longe.

Imagem: Peter McCollough/Wired.com

Fonte

António Almeida

António Almeida

Licenciado em engenharia Informático e Telecomunicações, mestre em Sistemas e Tecnologias de Informação e doutorando em Informática é um apaixonado por todo o tipo de tecnologia. Apostava na troca de informações e acaba de criar uma rede de informáticos especialistas interessados em tecnologia.

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