Mais trabalho para os Informáticos

Contra a adversidade, oe empresários parecem responder com otimismo. O último inquérito às intenções de contratação das empresas, da MRI Network, revela que 82% das organizações nacionais vão manter ou aumentar os quadros até junho. As TI são o setor mais favorecido.

Mais trabalho para os Informáticos 1

O primeiro semestre do ano parece passar ao lado do cenário de adversidade, perspectivado pela entrada do Fundo Monetário Internacional no país. Segundo o inquérito às intenções de contratação das empresas – Hiring Survey – realizado semestralmente em território nacional pela MRI Network, “82% das empresas presentes em território nacional perspectiva aumentar ou manter o seu número de colaboradores, durante o primeiro semestre de 2011”. O setor das tecnologias de informação merece, segundo empresa autora do estudo, um destaque positivo. É que nenhuma das empresas inquiridas prevê cortes de pessoal.

São 50% as organizações que planeiam manter o seu número de colaboradores até finais de Junho de 2011 e 32% as que arriscam novas contratações perante o atual cenário. Os números são positivos, mas merece referência o facto da percentagem de empresas que planeia diminuir os seus quadros de pessoal (18%), ter aumentado oito pontos percentuais face ao inquérito realizado no primeiro semestre de 2010. Este valor mantêm-se, contudo, muito distante do negro período de 2009, altura em que 46% das empresas portugueses manifestaram intenção de despedir trabalhadores.

Globalmente, avança o relatório, são as empresas mais pequenas que avançam maiores intenções de aumentar o número de trabalhadores. A opção de jogar pelo seguro e manter os trabalhadores atuais é, particulamente, expressiva nas empresas até 50 trabalhadores. A opção de realizar despedimentos é mais notória (31%) nas empresas até 250 colaboradores. Nas de maior dimensão (até 1000 funcionários), apenas 15% prevê despedir.

O setor das tecnologias de informação destaca-se pela positiva liderando as intenções de contratação das empresas, com 47% dos inquiridos a referi-lo. Logo a seguir no ranking está a construção civil, com 46% dos empresários a manifestarem igual intenção.

Para Carlos Governa, managing partner da MRI Network, “metade os 46% dos empresários da Construção Civil e Obras Públicas que declararam predisposição para aumentar o número de colaboradores, provêem de empresas com dimensão de 51 a 100 colaboradores”. O especialista explica que “se tiverem de recrutar, quer para substituições de colaboradores, quer para aumentarem os quadros, as prioridades centram-se claramente em funções técnico-operacionais, sendo a maioria (64%) com juniores e apenas 36% com seniores”.

Neste setor, apenas uma grande empresa admitiu estar a ter dificuldades em recrutar, todas as restantes declararam não esperar qualquer dificuldade em conseguir os profissionais que necessitam. Carlos Governa, confessa que “esperaria resultados piores na construção, dado o ambiente recessivo e de concorrência exacerbada, margens esmagadas ou negativas e o momento político, económico e social altamente preocupante que se vive em Portugal e no setor”.

Já na indústria farmacêutica e cuidados de saúde, a tendência mais acentuada é para a manutenção dos postos de trabalho, intenção manifestada por 62% dos inquiridos. Diminuir o número de colaboradores tnuma expressão maior no setor da indústria, onde 37% dos inquiridos assumem essa hipótese. Entre as empresas que pretendem aumentar colaboradores, a prioridade vai paras funções técnicas (42%).

Este Hiring Survey , o 66º realizado pela MRI Network em Portugal, foi sustentado por inquéritos a 168 administradores, diretores-gerais e diretores de recursos humanos de empresas nacionais. Para Ana Teixeira, country manager da MRI Network em território nacional, “os resultados do Hiring Survey para Portugal, referentes ao primeiro semestre de 2011, comparativos com o ano passado, apontam para uma constância na taxa de empresas que pretende aumentar o número de colaboradores, situando esta nos 32%”. A especialista salienta que “é importante notar que esta taxa não indica as empresas que vão recrutar para substituir, mantendo-se assim o número geral de colaboradores, mas somente a percentagem de empresas que vão recrutar para aumentar o quadro de pessoal”.

Dada a conjuntura económica do país, Ana Teixeira, considera este valor “muito positivo, ainda que a tendência de metade das empresas portuguesas seja para manter o seu quadro de pessoal”. A head hunter esclarece que “os tempos são, sem dúvida, desafiantes pelas dificuldades que encerram, mas parece que uma parte significativa dos dirigentes das nossas empresas se habituaram a navegar em águas turbulentas”.

Os setores da logística e tecnologias de informação surgem como os mais resistentes a esta turbulência, visto que a taxa de intenção de redução de colaboradores é muito baixa ou mesmo inexistente, face ao global da amostra. Facto curioso é que é nas empresas de dimensão menor, até 250 colaboradores, que mais se faz sentir a intenção de arriscar e aumentar os quadros.

António Almeida

António Almeida

Licenciado em engenharia Informático e Telecomunicações, mestre em Sistemas e Tecnologias de Informação e doutorando em Informática é um apaixonado por todo o tipo de tecnologia. Apostava na troca de informações e acaba de criar uma rede de informáticos especialistas interessados em tecnologia.

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