Lista 11 mitos e verdades sobre Blockchain e Criptomoedas

Nos últimos dois anos temos vindo a tomar um maior contato com o fenómeno das Bitcoins e outras Criptomoedas. Apareceram muitas notícias sobre o valor, a cotação e como funciona a mineração das Criptomoedas. De fato, temos assistido a uma valorização enorme das Bitcoins e o surgimento de outras Criptomoedas. As criptomoedas também estão a competir neste mercado, procurando atingir a melhor posição.

Blockchain é a tecnologia inovadora que está por detrás das moedas digitais.

Dizem os entendidos, vai mudar o mundo como o conhecemos. Não só porque vai ter enormes impactos na área financeira mas tmabém porque vai ter uma abrangência global. Mas o que são Bitcoins e Criptomoedas? O que é a tecnologia de Blockchain e como funciona? Qual a sua utilidade e que impactos concretos terá na nossa vida?

De facto é um tema que parece bastante confuso, complexo mas atual. A InfotrustGo, que disponibiliza uma das maiores bases de dados de empresas em Portugal, tomou a iniciativa de entrevistar o Dr. Fred Antunes. É o Presidente da Associação Portuguesa de Blockchain e Criptomoedas. A entrevista teve como objetivo saber mais e partilhar conhecimento sobre este fenómeno tão interessante.

BLOCKCHAIN E CRIPTOMOEDAS

 

CONCEITOS

 

1 – O que é a Associação Portuguesa de Blockchain e Criptomoedas (APBC)?

A Associação Portuguesa de Blockchain e Criptomoedas é uma Associação sem fins lucrativos. Tem o claro dever de serviço público de promover a Blockchain e a Criptoeconomia.Portanto, deve ser capaz de conseguir evangelizar o tema e dá-lo a conhecer no mercado português. A Blockchain tem uma história mundial de 10 anos, no entanto, no mercado português apenas no ultimo ano, é que esta temática começou a ser falada.

Há que desmistificar o conceito de Blockchain e Criptomoedas.

Dar a conhecer esta década de trabalho, e acabar com a ideia que é algo absolutamente novo. É errado pensar que ainda é algo que tem pouca maturidade e é pouco conhecido. Na verdade, esta década de trabalho já nos dão um background importante, no sentido de colocar Portugal na linha da frente. Portugal é um dos países mais evoluídos na implementação da criptoeconomia e na aplicação da tecnologia Blockchain.

No mundo as regiões onde esta tecnologia já é uma realidade abrangente são na Ásia (o Japão e a China); a Austrália e uma parte dos EUA. Na Europa estamos globalmente atrasados relativamente aos países Asiáticos. Portugal, dentro do contexto Europeu, deverá estar aproximadamente a meio da escala. Assim, vamos responder a seguir a algumas questões e mitos sobre estes novos conceitos:

 

2 – O que é a Blockchain e as Criptomoedas, não são a mesma coisa?

Para que as Criptomoedas funcionem, elas necessitam de uma tecnologia implementada no ciberespaço. Um tecnologia que não só faça com que possam existir como também lhes dê suporte. Isso, tendo em conta que não estamos a lidar com moedas físicas, mas com uma moeda digital. A essa tecnologia dá-se o nome de Blockchain.

 

3 – Mas por que se confundem os dois conceitos? 

Existe um estigma relativamente às Criptomoedas inversamente proporcional a um hipe de marketing quando o tema é Blockchain. De facto, é mais interessante para um empresário falar em Blockchain do que em Criptomoedas. Ainda existe um certo preconceito associado à palavra Criptomoeda. De qualquer das formas, não se pode, de modo algum, alienar Criptomoedas e Blockchain.

 

4 – A quem pertence a Blockchain?

Este é o paradigma fundamental, é um tema disruptivo. Por trás da Blockchain mais do que uma tecnologia existe um conceito civilizacional. A Humanidade ao longo dos últimos 20 anos sofreu inúmeros ataques por parte de diversos sistemas financeiros. Felizmente muitos deles falharam para o bem-estar de toda a população. No ciberespaço começaram a surgir diversos movimentos livres, de contestação ao sistemas que atacavam ou desprotegiam o cidadão comum.

Em 2008, deu-se a falência do Lehman Brothers e a crise do subprime americano que contagiou os mercados financeiros europeus inclusive o português. As pessoas começaram a procurar on-line um sistema alternativo. Um sistema em que o depósito de valor de uma determinada moeda não tivesse de estar centralizada em entidades que já falharam. Um sistema que pudesse estar distribuído por toda a população. Quando se fala em Blockchain e Criptomoedas há dois conceitos fundamentais a reter, a descentralização e a imutabilidade. Com isso garante-se que não existe um proprietário, todos contribuímos para a subsistência do sistema (através da minoração).

 

5 – O que são os Smart Contracts e em termos empresarias quais os usos mais recomendáveis?

Um contrato estabelecido entre partes de forma tradicional, será sempre passível de não ser exequível. Os Smart Contracts são estabelecidos por máquinas. Máquinas que o vão executar, de modo absolutamente imparcial, isento e exímio e registar na rede de forma imutável e inviolável. Todas as funções para as quais o Smart Contract for programado automaticamente ficam garantidas.

 

6 – Em que áreas de negócio podem ser celebrados os Smart Contracts?

A resposta é simples, em toda a Indústria. No entanto existem grupos de empresas que podem não “confiar” diretamente umas nas outras. Mas a Blockchain resolve o problema da confiança no mundo corporativo. Funciona quase como um seguro, através do desenvolvimento de aplicações descentralizadas. Outro setor onde os Smart Contracts podem ser utilizados é o Sector Público. Como por exemplo nos Registos Automóveis ou nos Registos Prediais.

 

mercado criptomoedas

MERCADO FINANCEIRO

 

6 – Porque existe resistência das instituições financeiras em relação às Criptomoedas?

Aqui estamos a falar da eterna guerra entre Conservadores e Progressistas. Os primeiros não querem abrir mão do poder estabelecido; os segundos pretendem alcançá-lo. Uma entidade que detenha uma quota de mercado grande, não está disposta a abdicar dela. Os novos players no mercado têm de conseguir conquistá-la de alguma forma, para poderem sobreviver. Este é o paradigma que a internet nos trouxe. A Revolução digital trouxe-nos o livre acesso à informação, à divulgação de produtos e serviços. Rasgou com a posição anterior confortável de que gozava quem detinha o poder.

 

7 – Acha que a Criptomoeda tem hipóteses de se implementar como alternativa à moeda física?

Os Bancos tradicionais já disponibilizam serviços digitais e de forma remota, no entanto, as opiniões divergem. Dentro das Instituições Bancárias as Criptomoedas serão apenas um pequeno passo. Dentro do sistema financeiro existem pessoas que têm dificuldade em entender o que é o ciberespaço. Não estão habituadas às ferramentas digitais, como tal têm uma maior resistência às novas tecnologias. Por outro lado, há os que apoiam e estão muito abertos a estas novas tendências, mas que, infelizmente, não têm suporte interno. Ficam por isso bloqueados nas suas tentativas de evolução e mudança.

Por fim,  temos, também, aqueles que estão completamente familiarizados com os novos paradigmas. No entanto, mesmo assim preferem uma moeda totalmente soberana, de um Estado fiduciário. A Banca tradicional tem rejeitado este modelo da mesma maneira que rejeitou outros modelos durante muito tempo. O que fez com que no ciberespaço começassem a surgir novos Bancos que disponibilizam o que a Banca tradicional não oferece. É por isso que é impossível parar o sistema de Criptomoedas.

Enquanto houver internet estão embutidos no seu ADN e é irreversível. Nunca irão desaparecer. O que é necessário é Regulação. Utilizar Criptomoedas resolve o problema das fronteiras dos câmbios. Passamos a ter uma moeda válida em qualquer país, independentemente da sua soberania.

 

negócios criptomoedas

CRIPTOMOEDAS E O COMÉRCIO

 

8 – Como é determinado o valor do Bitcoin ou de qualquer outra Criptomoeda?

O que define o valor da Criptomoeda é a lei da procura e da oferta (em tempo real). O sistema Blockchain e das Criptomoedas não permite emitir moeda. Não há forma objetiva de passar o limite máximo de moedas em todo o mundo. Qualquer Criptomoeda que é criada tem um supply máximo de existência, impossível de ser ultrapassado.

No caso da Bitcoin, o supply máximo é de 21.000 milhões. É de frisar que que as Criptomoedas são divisíveis. No caso da Bitcoin é divisível até à 8ªcasa, parcelas essas a que se dá o nome de satoshi em homenagem ao criador da Criptomoeda.

 

9 – Existe um risco de que num dado momento, se possam criar muitas mais unidades e a Criptomoeda possa perder o seu valor?

Quando se fala em termos de risco, existem Exchanges de Criptoeconomia em todo o mundo. Não são mais que uma “Bolsa  de Valores Digitais” válida para o mundo inteiro, funcionando de forma ininterrupta. Apesar de todas as seguranças o investidor pode correr riscos, tal como num outro investimento em ações.

É uma economia volátil porque:

  1. baixa adoção por parte da maioria dos países e não existe ainda um volume suficiente;
  2. falta de Regulação por parte dos Governos que devem recair na prevenção de atividades ilícitas.

 

segurança criptomoedas

SEGURANÇA E CONFIDENCIALIDADE

 

10 – Porque é que se diz que Blockchain é uma plataforma segura e inviolável?

Enquanto Base de Dados comparativamente com outras alojadas na cloud, a Blockchain não é a mais rápida. Também não é a que tem maior número de transações por segundo. No entanto tem a grande vantagem de não contar com um Administrador. Pelo contrário, está distribuída por milhares de servidores, com um sistema de “mirror mode” que replica as informações por todos os outros datacenters espalhados pelo mundo. Assim, o ónus da responsabilidade não fica apenas numa única entidade.

É um sistema de validação das transações em cadeia, criptografado e descentralizada, que torna a plataforma inviolável. Em suma, por que é que é segura? Muito simples, a garantia de segurança é dada pela criptografia. O acesso aos dados é feito apenas e só a partir de uma chave privada e pela distribuição e replicação dos dados. Ou seja, para haver uma alteração em 1 dos servidores, todos os outros terão de dar concordância a essa alteração.

 

11 – Acha seguro que as transações comerciais sejam feitas numa moeda 100% digital?

Não há garantia de confidencialidade, do acesso e partilha de dados, através da tecnologia que suporta as Criptomoedas. O RGPD tornou todo o tipo de informação, ou até mesmo o perfil de uma empresa mais complexo. No limite, enquanto a Lei vigorar não há nenhuma forma tecnológica de resolver o problema.

O novo Regulamento não está conforme com a tecnologia Blockchain, é anterior ao lançamento da tecnologia  e, por omissão, há um paradigma absolutamente antagónico. Por um lado há uma plataforma que é imutável/inalterável, por outro temos uma Lei que obriga a que sejam efetuadas alterações (apagar dados). Mas há uma forma de resolver a questão. Colocando os dados num servidor externo, à parte, de onde se poderiam remover dados caso as pessoas assim o pretendessem. De qualquer forma isso seria absolutamente contrário ao conceito Blockchain.

 

Futuro criptomoedas

 

VISÃO DE FUTURO

 

12 – Em que medida a tecnologia de Blockchain vai ser, ou já é, a grande revolução tecnológica para as próximas gerações?

A grande revolução no que respeita às Criptomoedas é dar a cada um a propriedade do seu dinheiro.

Existem 3 questões fundamentais:

  1. generalizar, incrementando os pagamentos por Criptomoedas, através do aumento dos POS;
  2. investimento em formação sobre a BlockChain e Criptomoedas (Educação e Prevenção);
  3. desenvolvimento de aplicações de supply chain, fazendo um rastreamento das transações;
  4. uma alternativa ao modelo tradicional de financiamento passa por uma Inicial Coin Offer, que é uma evolução do crowdfunding, mas em que o financiamento é efetuado em Criptomoedas.

 

13 – E qual a sua recomendação sobre o que devem fazer as PME’s no sentido de se adaptarem ou aproveitarem esta nova tecnologia?

As PME têm de ter a ambição de crescimento. As pessoas devem estar sensibilizadas para a evolução tecnológica com a plataforma Blockchain e Criptomoedas. Nesse sentido, devem adotar uma maior responsabilidade de conhecer esses sistemas.

 

CONCLUSÃO

Estudo, educação e investigação são as chaves para perceber a Blockchain e as Criptomoedas. Estar prevenido para todo o tipo de esquemas financeiros ilícitos que surgem nas sociedades. Não acreditar nas promessas de lucro rápido e elevado sem grandes investimentos.

 

 

SOBRE

Fred Antunes

Nasceu em Lisboa e foi um dos primeiros, em Portugal, a aderir às Criptomoedas, nomeadamente Bitcoins. Crypto Entutiast desde o movimento de “cypherpunks”. No final de 2009 começou a pesquisar o impacto da tecnologia Blockchain na sociedade humana. A sua visão é transversal e não é só técnica ou financeira focada nos investimentos. Também aborda o tema nos âmbitos político, educativo, comercial e cultural. Trabalha para múltiplos projetos de Blockchain como consultor.

António Almeida

António Almeida

Licenciado em engenharia Informático e Telecomunicações, mestre em Sistemas e Tecnologias de Informação e doutorando em Informática é um apaixonado por todo o tipo de tecnologia. Apostava na troca de informações e acaba de criar uma rede de informáticos especialistas interessados em tecnologia.

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