Levantamento de requisitos – 5 dicas práticas

Por vezes pedem-nos dicas para o levantamento de requisitos, preparamos por isso uma pequena lista do que realmente faz a diferença no levantamento de requisitos.

Apesar dos diagramas UML serem extremamente claros para quem é de TI, isto não acontece da mesma forma com os utilizadores (que não são de TI). Podemos passar um tempo infinito a explicar um diagrama de caso de uso ou até mesmo um diagrama de sequência, mas de certeza que não ficará tão claro como mostrar um print do ecrâ.

 

Levantamento de Requisitos:

Todos que desenvolvem software já tiveram que se deparar com uma situação de levantamento de requisitos. Mesmo quem está começando com programação executa sem perceber o processo de levantamento de requisitos.

Este processo basicamente consiste em identificar e detalhar o que deve ser feito do ponto de vista de negócios e recursos em um determinado sistema. Pode-se entender requisito como “uma coisa que o sistema deve fazer”.

Durante o processo de levantamento de requisitos, a equipe de analistas foca em entender o negócio que o sistema deve atender. A equipe de analistas deve entender tanto quanto ou mais que os usuários (que estão provendo informações). Deve-se ter em mente que todo este processo de identificação “do que deve ser feito” deve ser documentado e formalmente aprovado pelo usuário. Uma dica prática para acelerar o processo de detalhamento dos requisitos é ter uma lista inicial dos requisitos.

Voltando à documentação formal dos requisitos, tipicamente divide-se os requisitos em dois tipos:

Este é o tipo de requisito mais comum e mais lembrado por todos, ele basicamente consiste em “o que deve ser feito”
Exemplos:
– Permitir o cadastramento de clientes
– Emitir um e-mail avisando os produtos com baixo estoque
– Uma tela apresentando os produtos com maior rentabilidade

Este tipo de requisitos é sub dividido em mais categorias como:

Requisitos de usabilidade
Como o próprio nome diz, estes são requisitos relacionados à como usar o sistema, qual será a experiência do usuário quando estiver utilizando o sistema. Em resumo podemos dizer que são requisitos que definam a facilidade no uso do sistema
Exemplos:
– Pelo menos 90% dos relatórios e consultas devem exibir seus dados em até dois cliques
– Os campos de consulta por período devem já vir preenchidos com a consulta de hoje à +30d
– A validação de campos número deve ser executada de forma imediata após o preenchimento do campo.

Requisitos de segurança
Como o próprio nome diz, devem ser tratadas as questões de segurança do sistema e seus dados.
Exemplos:
– A senha do usuário deve ser criptografada com chave de 32 bits
– Possibilitar a criação de perfis de acesso às telas
– Permitir a consulta das ações de um determinado usuário nos últimos 30 dias

Requisitos de confiabilidade
São requisitos para identificar quantitativamente a confiabilidade (e qualidade) do sistema.
Exemplos:
– Considera-se o sistema com qualidade aceitável caso o índice de erros por kloc da amostra não ultrapasse 2,5
– Os bugs identificados em momento de validação devem ser endereçados em até 2 horas após sua identificação

Requisitos de desempenho
Este é o tipo de requisito que lhe dirá se o sistema está ou não rápido, se o desempenho é ou não satisfatório.
Exemplos: O relatório de consolidação dos dados deve ser apresentado em até 3 segundos

Requisitos de portabilidade
Este é o tipo de requisito onde falamos de como o sistema se comportará em outros ambientes ou plataformas. Deve-se prestar bastante atenção à este tipo de requisitos pois ele pode “destruir” um projeto.
Exemplos:
– O sistema deve funcionar em iPhones 3GS, 4 e 4S e nos smartphones A, B, C e D
– O portal deve funcionar nos Browsers Internet Explorer, Firefox, Crome e Safari nas suas versões A, B, D e D

Enfim, procure sempre documentar os requisitos e obter aprovação formal tanto da identificação quanto de seu detalhamento. Fazendo um bom levantamento e classificando os requisitos conforme apresentado acima o risco em requisitos é reduzido considerávelmente.

 

Dicas:

É mais fácil para qualquer pessoa entender o que um sistema deverá fazer se ele conseguir simular isto de alguma forma e uma tela consegue isto. Quanto mais próximo da experiência final, melhor. Para agilizar este tipo de trabalho você pode elaborar os protótipos finais ou utilizar ferramentas de mockup.

As boas (e velhas) entrevistas são por muitos anos o método mais utilizado para levantamento de requisitos. As entrevistas são parte de um processo de levantamento, investigação e até podemos dizer “garimpo”, onde o analista deve buscar extrair ao máximo o conhecimento do negócio do usuário e quem sabe até conhecer mais que o próprio usuário.

Um bom processo de entrevistas aliado à mockups agiliza consideravelmente o processo de requisitos.

Processos de brainstorming são excelentes para se identificar idéias para o projeto. Na primeira parte do processo você identifica todas as idéias possíveis, na sequência estas idéias são discutidas, aprovadas ou eliminadas. Foca-se nas idéias aprovadas para maior detalhamento e desenvolvimento.

Diagramas que definam o processo em suas fases, atividades e produtos são excelentes mecanismos para apoio no levantamento e desenvolvimento de requisitos. Quando já existentes eles podem ajudar tanto o patrocinador quanto a equipe à compreender o negócio mais facilmente. Uma boa prática é desenvolver um diagrama do negócio que o projeto irá atender, este diagrama além de facilitar o entendimento dos envolvidos, poderá ser utilizado pelo usuário após o desenvolvimento do projeto.

Questionários são sempre bons e ajudam a não esquecer o que deve ser identificado todavia devem ser utilizados com cuidado para não usar um mesmo questionário padrão para todo tipo de projeto. Desenvolva um questionário objetivo para auxiliar à guiar o processo de levantamento do projeto em questão.

RFPs são documentos excelentes que adiantam boa parte do trabalho de levantamento de requisitos. Isto acontece porque alguém já fez o serviço e com base em um levantamento preliminar está pedindo uma cotação para um determinado trabalho. Há todo tipo de RFP, desde aquelas com mais de 90% do levantamento já descrito, quanto outras onde se há apenas uma lista com breve descrição do escopo. Todavia, em sua maioria as RFPs contribuem bastante para o processo de levantamento

Por último não se deve esquecer da importância de sempre documentar o que foi definido e obter uma aprovação formal do que foi definido.

Fonte

António Almeida

António Almeida

Licenciado em engenharia Informático e Telecomunicações, mestre em Sistemas e Tecnologias de Informação e doutorando em Informática é um apaixonado por todo o tipo de tecnologia. Apostava na troca de informações e acaba de criar uma rede de informáticos especialistas interessados em tecnologia.

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