Infra-estruturas optimizadas reduzem custos

A evolução tecnológica pode ser uma das razões para desencadear processos de optimização de infra-estruturas nas empresas, mas a actual conjuntura económica dá um incentivo extra às organizações, que assim podem reduzir custos em mais de 50%. Optimizar infra-estruturas reduz custos.

As boas práticas ditam que os sistemas informáticos devem ser avaliados de forma contínua, para que se identifiquem processos passíveis de serem optimizados, quer pela sua reestruturação, quer pela introdução de novas tecnologias. Mas a racionalização de custos é também um dos grandes motivos para dinamizar estratégias de optimização nas organizações, aproveitando de forma mais eficaz os recursos existentes e eliminando desperdícios.

A actual conjuntura económica é propícia a estas práticas. As consultoras têm vindo a mostrar que as empresas estão a avaliar de forma mais racional os investimentos em tecnologias de informação, privilegiando soluções de optimização com retorno rápido e um time to market reduzido, em que as opções de cloud computing e virtualização dominam.

Os últimos dados da Gartner, já revistos para o corrente ano, indicam que as empresas vão investir 3,6 biliões de dólares em TI em 2012, e que as soluções de cloud são as que revelam uma taxa de crescimento maior, embora tenham ainda um peso pequeno no bolo total, de apenas 3%.

Luís Ramada Pereira, director comercial de Outsourcing da IBM Portugal, admite que a prioridade com que os projectos de TI são avaliados pelas empresas é influenciada pela situação económica e financeira em que se encontram. «Projectos de optimização são raramente projectos críticos numa óptica de negócio e mercado. No entanto, nestes dias, em que o financiamento é escasso e a conjuntura económica negativa, temos assistido a uma importância crescente deste tipo de projectos como forma de baixar despesas e de libertar fundos para investir noutras iniciativas críticas para o negócio», refere.

Fazer mais com menos é a palavra de ordem nas empresas e nos organismos públicos também no que toca às TI, e este acaba por ser um mote que define prioridades, sobretudo nas grandes organizações, onde se sentem de forma mais nítida as economias de escala.

O potencial das novas tecnologias que permitem racionalizar recursos de forma mais eficiente, reduzindo custos operacionais, é uma das mais-valias para as empresas, como aponta Fernando Rio Maior, líder da equipa de Pré-Venda da HP Portugal.

A par da necessidade identificada de optimização de infra-estruturas para reduzir custos, Sérgio Figueiredo menciona porém o facto de as empresas sentirem «uma necessidade crescente de utilização das TI para uma optimização dos negócios», gerando assim maior recurso às TI perante fenómenos como os grandes volumes de informação ou a mobilidade. Mas mesmo nestes casos a ordem é sempre fazer o melhor com o menor investimento possível, uma ideia que tem cada vez mais peso nas decisões dos CFO e CIO, admite o gestor de Data Centers e Continuity Services da Mainroad. «Muitas empresas estão a optar pelo outsourcing de TI ou pela cloud computing, através dos quais parceiros como a Mainroad ajudam a gerir as actividades que não fazem parte do ciclo produtivo, aumentando a competitividade do seu negócio», afirma.

 

Erros a evitar na optimização de Infra-estruturas

Verifique o que os especialistas nesta área apontam como erros que devem ser evitados nos processos de optimização de infra-estruturas de TI

«Esquecer os “intangíveis”, tais como a resistência à mudança ou o risco associado à transformação necessária à recolha dos benefícios esperados. Entender um projecto de optimização como um esforço isolado. Não fazer uma análise de custo-benefício que não considere os factores em jogo.» Luís Ramada Pereira, director comercial de Outsourcing da IBM Portugal

«A ausência de um diagnóstico inicial sobre a arquitectura actual que identifique claramente os pontos mais críticos para uma optimização e os benefícios associados; a ausência de avaliação do impacto na alteração de uma parte da infra-estruturas na arquitectura global; a implementação de soluções isoladas que não potenciam os benefícios globais da optimização; a ausência de testes de carga sobre o novo ambiente e a inexistência de uma visão global na gestão TI.» Fonte oficial da PT

«A adopção de falsos pressupostos, partindo do princípio errado de que os projectos podem ser replicados na íntegra entre organizações. A replicar, será sempre o conhecimento e, com ele, a experiência.» Nuno Leonardo, consultor de Data Center da Fujitsu Technology Solutions

«Acima de tudo, evitar atalhos ou caminhos rápidos e pensar somente a curto prazo, pois o planeamento é extremamente importante. Nunca descurar este investimento.» David Bernabé Fernandes, gestor de projectos da Gfi Portugal

«Acredito que o principal erro cometido está em considerar que a realidade das empresas é transversal, quando na realidade não é. Não existe uma solução aplicável a todas as organizações, pelo que as soluções de optimização devem ser devidamente elaboradas e customizadas em conjunto pelo fornecedor do serviço e pelo cliente.» João Paulo Rente, gestor de processos de Systems and Infrastructures da Mind Source

«Avançar passo a passo, sem queimar etapas. A título de exemplo, não se deve avançar para a virtualização sem ter a infra-estruturas estandardizada e consolidada.» Fernando Rio Maior, líder da equipa de Pré-venda da HP Portugal

«Cair em erros antigos, como não olhar ao produto que se adquire e só valorizar o preço. Além disso, é importante dimensionar a infra-estrutura para os verdadeiros requisitos do cliente, isto porque muitas vezes dispomos de “capacidade” que nunca utilizamos, ou seja, as estruturas devem ter sempre em conta as reais necessidades dos clientes.» Ricardo Silva, managing partner da Overwan

«Desde logo, uma definição errada das necessidades de TI, um planeamento inadequado do processo e uma avaliação incorrecta da infra-estrutura implementada. A escolha de parceiros inexperientes no tipo de processos que a empresa desenvolve pode também levar a tempos de implementação demasiado longos e custos mais onerosos do que o previsto.» Sérgio Figueiredo, gestor de Data Centers & Continuity Services da Mainroad Datacenters mas não só.
As estratégias de optimização assumem sempre uma óptica de custo versus benefício, mas a forma de a aplicar depende de empresa para empresa. Enquanto algumas terão de agir a nível de sistemas centrais, os postos de trabalho podem revelar-se os elementos mais relevantes para algumas organizações, sobretudo as que têm maior número de colaboradores, muitas vezes a trabalhar por turnos, como acontece com os call centers.

Habituada a gerir processos de optimização de infra-estruturas, a Portugal Telecom define vários níveis na estratégia, passando o primeiro passo pela consolidação de data centers e servidores, numa arquitectura que maximize o nível de eficiência da utilização dos recursos físicos disponíveis, mas abarcando também o parque informático, nomeadamente dos postos de trabalho.

«As empresas procuram o modelo do posto de trabalho virtual, maioritariamente sobre a sua rede privada, sobre uma plataforma central gerida em data center», explica fonte oficial da empresa, referindo que a perspectiva se centra na redução de custos com hardware, licenciamento e gestão TI na entrega ou actualização de tipologias de estações-padrão, aumento da produtividade, mobilidade e segurança sobre a informação empresarial.

David Barnabé Fernandes, gestor de projectos da Gfi Portugal, lembra que o equilíbrio da solução tem de ser feito à medida, e depois de uma avaliação cuidada, não envolvendo apenas componentes tecnológicos. «Cada entidade é um sistema em que as várias componentes devem estar bem oleadas, para poderem produzir um resultado final optimizado. Assim, não basta agir sobre servidores, PC ou outros periféricos, mas, de uma forma sistémica, sobre todas as componentes que contribuem para um bom resultado e para a sua sustentabilidade no pós-projecto, nomeadamente a componente humana e de organização e processos», acrescenta.

Na mesma linha de ideias João Paulo Rente, process manager na área de Systems and Infrastructures da Mind Source, admite que «o utilizador final é o elemento mais difícil de satisfazer, quer pela sua heterogeneidade, quer pelo seu grau de conhecimento ou de envolvimento com as TI, pelo que todas as alterações que afectem directamente o seu posto de trabalho são as que devem receber maior atenção, de modo a não inviabilizar o projecto de optimização pensado pela gestão».

A afinação correcta de cada elemento é defendida também por Ricardo Silva, managing partner da Overwan, uma startup focada no serviço a empresas com uma visão a 360 graus. «Muitas das empresas optam por implementar soluções mais direccionadas para a virtualização ou para a cloud, no intuito de que a questão se resolva por si só. No entanto, esta não é uma receita mágica», avisa, apontando o exemplo da virtualização, em que se forem levadas em conta apenas as características técnicas que suportem o que existia nas máquinas físicas se correm riscos de aumentar outros custos, como por exemplo o consumo de energia.

 

Estratégias para optimizar o datacenter

Consolidar e optimizar o datacenter é uma das receitas para reduzir custos. Eis algumas das estratégias que podem produzir resultados rápidos

1 – Melhore o nível do datacenter

Os datacenters que têm um nível de classificação mais elevado são mais eficientes em termos de consumo de energia e de operação, pelo que vale a pena apostar em melhorar a qualidade do equipamento e das instalações. Se está a subcontratar, avalie bem as diferenças de custo entre datacenters de tier 3 e de tier 4 e confirme se justificam o investimento.

2 – Consolide as operações

Se os seus servidores estão dispersos por vários datacenters (mesmo que de pequena dimensão) considere a fusão em apenas um ou dois locais. Esta pode ser uma forma de reduzir custos entre 20 a 60% e ao mesmo tempo ganhar um selo ecológico, reduzindo a pegada de carbono da organização.

3 – Considere a substituição dos equipamentos

Os servidores de nova geração ocupam menos espaço, consomem menos energia e necessitam de um esforço menor de arrefecimento, por isso são mais eficientes. Não valerá a pena pensar em substituir todas as máquinas de uma vez, mas quando for necessário aumentar a capacidade, ou trocar equipamentos danificados, opte pelos mais optimizados.

4 – Escolha a zona de implementação

O preço do metro quadrado, das comunicações e dos recursos humanos pode pesar na factura total do datacenter. Se calhar não vale a pena instalar estas infra-estruturas na zona nobre da cidade, podendo ser deslocalizadas para cidades mais pequenas, como fez a PT na Covilhã, criando também um efeito positivo de dinamização da economia local. Uma questão de dimensão .
Como acontece noutras áreas das TI, a dimensão da empresa é um elemento determinante num processo de optimização de infra-estruturas. E por isso estes projectos são mais comuns nas grandes e médias empresas, com um volume de equipamentos elevado a nível de servidores e postos de trabalho, cujo impacto dos efeitos de escala é maior. Mesmo assim, Nuno Leonardo, consultor de Data Center da Fujitsu Technology Solutions, acredita que as empresas de menor dimensão também podem usufruir de ganhos consideráveis ao adoptar uma política eficaz de optimização das suas infra-estruturas TI.

«A escolha do melhor hardware permite uma maior poupança energética e ganhos ao nível da própria administração dos sistemas, independentemente da dimensão da infra-estruturas», garante.

Mesmo que ninguém arrisque um número mágico para as poupanças conseguidas através de processos de optimização da infra-estruturas de TI, até porque a maturidade dos sistemas e os ambientes têm grande influência, há algumas métricas que podem ser retidas.

A Portugal Telecom aponta poupanças de 40% em projectos de optimização de postos de trabalho com a sua solução Desktop Remoto, e David Barnabé Fernandes, da Gfi, coloca a fasquia entre os 50 e os 70%, com retornos totais entre um a dois anos. Mas também há riscos a considerar, como afirma João Paulo Rente. «Para atingir os objectivos de racionalização propostos muitas das vezes é necessário mudar de paradigma, e o factor mudança requer sempre, seja qual for a dimensão e Infra-estruturas afectadas, o envolvimento e a flexibilidade das pessoas», alerta.

Fonte: Semana Informática

António Almeida

António Almeida

Licenciado em engenharia Informático e Telecomunicações, mestre em Sistemas e Tecnologias de Informação e doutorando em Informática é um apaixonado por todo o tipo de tecnologia. Apostava na troca de informações e acaba de criar uma rede de informáticos especialistas interessados em tecnologia.

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