Cursos de TI com empregabilidade de 100%

Existem áreas nas tecnologias e sistemas de informação com uma taxa de empregabilidade de 100 por cento. As universidades estão atentas às necessidades de evolução da indústria.

Wi-Social, NWC Network Concept, Ideavity, Tomorrow Options Microelectronics, Ownersmark. Os nomes são de empresas que nasceram a partir de universidades, com o apoio das estruturas existentes nas escolas para patrocinar iniciativas de empreendedorismo, ou mesmo a partir de cursos ministrados nas instituições. É o caso dos três últimos exemplos, que dizem respeito a três das cinco empresas nascidas no âmbito do mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

Criado em 2006, o curso da FEUP conta hoje com uma procura 2,5 vezes superior ao número de vagas, e já dá o seu contributo para os números da última década, que apontam para a criação de 60 empresas pela mão de alunos da instituição, sobretudo nas áreas de Engenharia Electrotécnica e Engenharia Informática.

Este 2.º ciclo de estudos promove a formação integrada de gestores e empreendedores «através de um ensino prático, que permite a aquisição de competências com vista à eficaz gestão do conhecimento e da inovação, e à criação de novos negócios, que poderão ser desenvolvidos no seio de empresas existentes ou através de novas iniciativas empresariais», conforme explica José Manuel Martins Ferreira, vice-presidente do conselho pedagógico da FEUP.

O programa constitui um exemplo claro e emblemático do esforço que as universidades têm feito ao longo dos últimos anos para adaptar a sua oferta formativa às necessidades do mercado, sobretudo numa área tão competitiva como é a das tecnologias, e este não é o único exemplo. A estratégia é seguida por outras escolas do país, com igual sucesso, ainda que em moldes distintos.

No caso da Universidade de Aveiro, uma das respostas que a instituição encontrou para explorar o potencial das ideias que nascem da investigação lá realizada foi o curso de Empreendedorismo de Base Tecnológica (CEBT), realizado em parceria com a Universidade de Coimbra (UC), a Universidade da Beira Interior (UBI) e o Centro Empresarial do Centro.

O objectivo do CEBT passa por agarrar nas ideias e nas tecnologias geradas nas unidades de investigação, que são propriedade da universidade, e analisar o seu potencial mercado e a sua viabilidade económica através da realização de um plano de negócios. «O objectivo final é analisar se uma boa ideia ou tecnologia pode ser uma boa oportunidade de negócio. São formadas equipas multidisciplinares, envolvendo alunos e docentes e investigadores», explica a reitoria. O curso é anual e conta já com seis edições, pelas quais passaram 430 formandos, que elaboraram 78 conceitos de negócio e constituíram 10 empresas; sete são da Universidade de Aveiro (UA).

A própria reestruturação curricular imposta por Bolonha abriu a porta a transformações importantes em muitas universidades, que usaram a oportunidade para introduzir conceitos novos nos seus cursos ou readequá-los às necessidades dos empregadores. As avaliações e análises internas feitas pelas instituições também têm conduzido a mudanças importantes, que aos poucos levam o ensino superior para modelos mais interactivos.

Vasco Vasconcelos, presidente do Departamento de Informática, explica que é isso que também tem acontecido na Universidade de Lisboa. E dá um exemplo: «Em particular desde a última reestruturação do mestrado em Engenharia Informática, introduziram-se duas disciplinas obrigatórias fora da área tecnológica, que visam precisamente alertar os alunos para os aspectos do empreendedorismo, nas suas vertentes sociais e de gestão».

Outra mudança operada pela escola com o objectivo de incentivar o espírito empreendedor dos alunos foi a introdução de uma disciplina que é hoje fortemente procurada por alunos do 2º ciclo, cujo foco é a gestão de projectos e a gestão do risco. «Procuramos adaptar continuamente os nossos cursos à realidade do mundo empresarial, revendo regularmente o conteúdo programático das disciplinas existentes e pontualmente a estrutura dos mestrados», continua Vasco Vasconcelos, admitindo que aos próprios cursos tem de se aplicar o ciclo de vida e morte, a bem desse objectivo máximo de manter uma oferta adequada. No caso concreto da instituição, a estratégia valerá para o mestrado em Informática Biomédica, que desaparecerá no próximo ano lectivo, e para o mestrado em Segurança Informática, que se estreia para testar o interesse do mercado.

Empresas definem programas curriculares 

A interacção que os programas curriculares promovem entre universidades e empresas têm sido – no âmbito de teses, estágios, etc. – um elemento-chave para adequar a oferta curricular às necessidades do mercado, e sê-lo-ão cada vez mais, ou não estivessem as instituições a abrir cada vez mais a porta a parcerias e a fazer esforços para integrar os seus alunos em contexto empresarial. Mas a esta comunicação tradicional juntam-se iniciativas mais proactivas, que procuram garantir um nível de sintonia ainda mais elevado e claro e tornar a instituição mais competitiva, dentro e fora do país.

Com seis vezes mais candidatos do que vagas nos mestrados integrados, o dobro das solicitações face aos lugares disponíveis nos mestrados independentes e profundas remodelações na oferta formativa ao longo dos últimos anos (24 programas de 2º e 3º ciclos foram descontinuados e iniciados vários novos), a FEUP realiza anualmente um inquérito às empresas. Aqui procura aferir a adequação das competências adquiridas pelos seus diplomados, face às necessidades do mercado de trabalho. «Este projecto constitui ainda uma oportunidade de reflexão sobre as exigências que o processo de Bolonha traz aos cursos do ensino superior, particularmente na área do emprego, permitindo à FEUP desenvolver uma avaliação do seu estado actual e traçar linhas de orientação sustentadas para o futuro», explica José Ferreira.

Com o mesmo objectivo de alinhar ainda mais a oferta formativa, também a Universidade Nova de Lisboa e o ISCTE estão neste momento a rever os programas. José Alferes, presidente do Departamento de Informática da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Nova, explica que há quatro anos os cursos do departamento foram alvo de alterações profundas. Esta mudança coincidiu com o processo de Bolonha, mas essa não foi a única motivação. A preocupação de adaptar os cursos às realidades do mercado e das empresas já estava traçada. Na altura acabou por se concretizar com o apoio de uma comissão consultiva, composta por personalidades do mundo empresarial. Desde então, a estrutura do mestrado em Engenharia Informática, uma das ofertas core da oferta pós-graduada – que já inclui uma disciplina obrigatória de Empreendedorismo – tem-se mantido, apenas com pequenos ajustes ao nível de cada disciplina. Quatro anos passados, «o departamento encontra-se neste preciso momento a fazer uma análise profunda do mestrado, com vista a uma reformulação que responda cada vez mais às necessidades da sociedade», indica José Alferes.

O ISCTE relata as mesmas preocupações, com Francisco Cercas, director da Escola de Tecnologias e Arquitectura, a explicar que o instituto «está a proceder a uma racionalização dos cursos e temas oferecidos, apostando sobretudo na diferenciação, que tem sido a chave do sucesso. Neste momento, a comissão científica da Escola de Tecnologias e Arquitectura está a estudar a introdução de novos cursos em áreas estratégias e que serão oportunamente divulgados».

Com a mesma intenção de garantir a atractividade da oferta, a escola vai procurando apostar em parcerias internacionais, como fez com o IIT Gandhinagar da Índia na semana passada. Neste caso, para reforçar a oferta de terceiro ciclo, uma receita que seguem a generalidade das instituições do ensino superior e que funciona para atrair mais alunos nacionais e internacionais.

A Universidade de Coimbra fornece nesta área um exemplo de peso, contando ao longo dos últimos cinco anos com projectos em cerca de trezentas universidades europeias, americanas, australianas e diversas entidades de investigação. Foi aliás no âmbito de alguns destes projectos que a Faculdade de Ciências e Tecnologia da instituição garantiu um financiamento europeu de 12 milhões de euros para I&D, verbas e iniciativas com impacte directo na oferta formativa da escola, já que os alunos do 2º e 3º ciclos são sempre integrados nas actividades de investigação em curso. Um dos resultados líquidos do trabalho de I&D da FCTUC são 13 patentes, das quais duas já foram alvo de licenciamento.

Os números da aposta internacional da FEUP são igualmente relevantes, com a instituição a apontar 200 acordos no âmbito do programa ERASMUS, envolvendo cerca de 115 universidades europeias e 50 brasileiras, que fizeram a universidade enviar para o estrangeiro mil estudantes e receber 1150, nos últimos cinco anos.

Parcerias renovam ensino superior 

Os programas lançados com o apoio do Governo em 2006, envolvendo três instituições norte-americanas (MIT, Carnegie-Mellon e Austin Texas), chegam à maioria das grandes universidades e institutos portugueses e também contribuíram para trazer inovação ao ensino e novas oportunidades para quem os frequenta.

«O balanço é francamente positivo. Tem existido da parte da escola um enorme esforço de internacionalização, que se tem traduzido num aumento da população de estudantes estrangeiros. Por outro lado, para os nossos estudantes que vão para o estrangeiro a experiência multicultural oferece-lhes certamente uma formação mais completa enquanto profissionais de Engenharia», explica Teresa Frazão, vice-presidente para a gestão do campus do Instituto Superior Técnico no Taguspark, uma das escolas de engenharia do país em que as propostas de emprego chegam antes de os cursos terminarem, e que é berço da Wi-Social e da NWC Network Concept, duas empresas nascidas de teses de mestrado, referidas no início do artigo.

A reitoria da Universidade de Aveiro reconhece-lhes o mesmo valor benéfico para a instituição, fazendo um balanço muito positivo da experiência. Concretamente no que se refere à parceria com a Carnegie-Mellon, que acabou por ser a mais aprofundada pela instituição, os responsáveis da Universidade de Aveiro consideram que o programa teve efeitos a vários níveis. «Em primeiro lugar, graças à experiência de desenvolvimento de um curso de formação conjunta. Permitiu-nos analisar as vantagens das metodologias norte-americanas, quer em termos de estratégia docente, quer em termos de estrutura administrativa. Em segundo lugar, a troca de docentes realizada, com alguns docentes a terem estadias na CMU, permitiu apreender no local as diferenças entre os dois sistemas de ensino.» A universidade assume aliás que, fruto desse contacto, se produziram modificações na instituição, e também aponta resultados positivos no que concerne às competências. Seja no que se refere às competências que a universidade teve oportunidade de desenvolver na área da investigação, seja em relação àquelas em que os alunos graduados pelo curso conjunto tiveram oportunidade de conquistar.

«Estas actividades trouxeram alguma influência nos métodos de trabalho e projectaram a escola como centro de excelência em algumas áreas, quer internacionalmente (programas de doutoramento), quer a nível nacional (programas de mestrado)», admite igualmente Vasco Vasconcelos, da Universidade de Lisboa, instituição em que 10% dos estudantes que ocupam as vagas para a oferta do 3º ciclo – especialmente Ciências da Computação, Informática e Engenharia Informática – são estrangeiros.

Os números são idênticos noutras faculdades e também estão a crescer. No IST e na FEUP, os estrangeiros representaram 17% dos alunos do 3º ciclo no ano lectivo anterior. Mas há casos específicos em que a procura é ainda mais relevante: na área de telecomunicações, 80% dos inscritos na última edição do programa doutoral da FEUP eram de outras nacionalidades. Na Universidade Nova, o mestrado Europeu em Lógica Computacional também é essencialmente frequentado por alunos estrangeiros.

As diversas escolas apontam factores diversos para explicar a sua capacidade de atrair alunos de várias nacionalidades, com o reconhecimento unânime de que o esforço para criar pontes com instituições internacionais será um deles.

Álvaro Barbosa, director do departamento de som e imagem da Escola de Artes da Universidade Católica do Porto, acredita que no caso concreto da sua escola, em que a procura de programas de 3º ciclo por alunos estrangeiros também é elevada, tem que ver com a inovação das propostas e com a sua «alta qualidade no plano internacional». Acrescenta ainda que, «em Portugal, é também competitivo o baixo custo das propinas (comparativamente com a maior parte dos países do Norte da Europa) e o baixo custo de vida, aliado a um clima muito bom». O programa de doutoramento mais solicitado desta escola da Católica do Porto é o de Ciência e Tecnologia das Artes, nas áreas de Arte Interactiva e Informática Musical.

Os mais procurados:
As universidades e os institutos do ensino superior que falaram ao Semana apontaram os cursos mais procurados nos seus programas de 2º e 3º ciclos. Em muitas instituições, o número de vagas não chega para os candidatos. Em algumas, as taxas de empregabilidade estão próximas dos 100%.Mestrados
• Engenharia de Redes de Comunicações – IST;
• Engenharia Informática; Energia para a Sustentabilidade e Engenharia para a Gestão Industrial – FCT da UC;
• Informática; Engenharia Informática; Segurança Informática; Inovação e Empreendedorismo Tecnológico – FEUP;
• Engenharia Informática – FCT UNL;
• Sistemas de Informação; Engenharia de Telecomunicações e Informática
• Engenharia Electrónica e Telecomunicações; Engenharia Computadores e Telemática – UA.

Doutoramentos
• Informática (especialização em Bioinformática; Engenharia Informática e Ciências da Computação) – UL;
• Ciência e Tecnologia das Artes – Universidade Católica do Porto Media Digitais – UNL, FEUP e (UT Austin-Portugal);
• Informática – UNL;
• Informação e Comunicação em Plataformas Digitais; Engenharia Informática; Telecomunicações – UA.

Novidades para o próximo ano lectivo
• Pós-graduação em Fotografia – Universidade Católica do Porto;
• Doutoramento em Engenharia e Políticas Públicas – FEUP (CMU-Portugal);
• Mestrado em Segurança Informática – UL (CMU-Portugal);
• Mestrado em Engenharia de Informação; Mecânica Computacional e Planeamento e Projecto Urbano (propostas em aprovação – FEUP);
• Doutoramento Europeu em Lógica Computacional – UNL, em parceria com as universidades de Dresden, Viena e Bolzano;
• A Universidade de Aveiro prepara sete novos cursos (2º e 3º ciclos) para o próximo ano lectivo; para já não revela quais.

Fonte:http://www.semanainformatica.xl.pt/1025/est/100.shtml

António Almeida

António Almeida

Licenciado em engenharia Informático e Telecomunicações, mestre em Sistemas e Tecnologias de Informação e doutorando em Informática é um apaixonado por todo o tipo de tecnologia. Apostava na troca de informações e acaba de criar uma rede de informáticos especialistas interessados em tecnologia.

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