Como a Cloud afectará o sector das TI

A migração para a cloud deverá mudar as empresas profundamente, segundo a IDC. Já este ano 80% das novas aplicações serão desenvolvidas para correr na cloud.

cloud

A adopção do modelo de cloud computing terá entrado em 2010, à escala mundial, numa fase denominada pelas consultoras como, inicial e pragmática, ou de “early majority”, explica Frank Gens, vice-presidente e analista-chefe da IDC. Cerca de 80% das novas aplicações empresariais de 2011 foram desenvolvidas para funcionar num modelo de cloud computing .

Gens faz parte de uma equipa de analistas dedicada à avaliação e das promessas e riscos da cloud computing. Do conhecimento obtido, o responsável extrai as seguintes recomendações para as empresas interessadas em adoptar o modelo de cloud computing.

1 – A nuvem é a terceira onda.

O mainframe representou a primeira vaga, e no seu auge oferecia às empresas cerca de duas mil aplicações. A arquitectura de cliente/servidor veio depois, levando à revolução do PC, na qual o número de aplicações cresceu para as dezenas de milhar. Hoje, é a vez da cloud computing, a qual sustenta a realização de trabalho em qualquer lugar. Ela vai criar dezenas de milhões de aplicações e gerar uma explosão de novos serviços, incluindo aplicações móveis, tecnologia de socialização e análise de grande quantidade de dados, diz Gens.

2 –O quarto pilar

Fornecedores de infra-estrutura vão criar um quarto pilar, a acrescentar ao dos servidores, armazenamento e redes, o qual deverá chamar-se “cache partilhada”. O impacto da virtualização de servidores está apenas no início, diz Rick Villers, analista e vice-presidente de sistemas de armazenamento da IDC. Os departamentos de TI querem livrar-se de silos e passar para a fase da tecnologia da informação convergente.
A virtualização é o primeiro passo para instalar a infra-estrutura desse novo pilar. Mais tarde chegará o dia no qual as TI projectarão cem máquinas virtuais para um servidor físico em vez das actuais oito a 20 máquinas virtuais . É por isso que os centros de dados vão precisar desse espaço de cache partilhada, mais rápida do que a partilha de discos/armazenamento, na qual as máquinas virtuais são mantidas.

3 – Licenciamento de software continua a ser barreira

Os gestores de TI consideram que os acordos de licenciamento de software são uma barreira para a adopção da cloud computing. As empresas de software empresarial sobreviventes da transição para o novo modelo de computação vão adaptar as licenças para as aplicações poderem ser acedidas a partir de múltiplas localizações oferecendo um custo único aos utilizadores, diz Robert Mahowald, vice-presidente da IDC para os serviços de SaaS e cloud. Por exemplo, um utilizador pode aceder ao SQL Server através de um modelo híbrido, usando a plataforma de cloud da Amazon e do Windows Azure, tudo por um custo único.
A opção pelas licenças de software de código aberto será um factor tido em conta pelos departamentos de TI, na migração dos sistemas dos centros de dados internos para um modelo híbrido. Nem todos os prestadores de serviços deverão adoptar a ideia, mas alguns, mesmo a Microsoft, estão a evoluir nessa direcção. A partir de 1 de Julho, os clientes do Microsoft Software Assurance poderão usar os acordos de licença de software actuais para passar aplicações do servidor interno para a plataforma de cloud computing, o que a Microsoft denomina “licença de mobilidade”.

4 – Os negócios vão ver a TI como uma loja interna de aplicações

O papel das TI mudará do desenvolvimento de aplicações personalizadas e da adaptação de grandes aplicações para a oferta de uma miscelânea de serviços, acessíveis a partir de qualquer dispositivo, usando nuvens públicas e privadas. As TI terão de reorganizar-se em torno do conceito “serviços de TI”, diz Dave McNally, assessor executivo de TI para a IDC. Essa tendência começou com a SOA há alguns anos, mas como a SOA não obteve sucesso em muitos fornecedores de aplicações, a nuvem vem, mais uma vez, disseminar a ideia das TI como elemento capaz de viabilizar um conjunto de serviços.

5 –Clouds públicas serão mais importantes

Plataformas de cloud públicas vão tornar-se mais importantes do que as plataformas privadas, diz Gens. “Muitos dos executivos de TI com que eu converso estão a pensar, ‘como posso implantar a cloud na minha zona de conforto, isto é no meu centro de dados?”. Ter essa perspectiva é evoluir na direcção errada, diz. Em vez disso, os executivos de TI precisam de ver as plataformas de terceiros como uma oferta de novas qualidades, e não simplesmente para recriar o que a empresa já está a fazer, mas numa plataforma potencialmente mais barata.

6 – A nuvem é fonte de grande quantidade de dados.

Um pequeno número de serviços em cloud computing do Google, da Amazon ou da iTunes está a consumir uma grande parte do espaço de armazenamento vendido – ou 9,8 exabytes de capacidade de disco rígido, diz Villars. Diante dessa grande massa de dados, os fornecedores começaram a perceber que entre as informações armazenadas há informações valiosas sobre os consumidores.
As empresas de tecnologia de análise de dados estão a posicionar-se para realizar essa tarefa: desde a análise de informações presentes no Twitter, por exemplo, ao fornecimento de análises personalizadas. Essa movimentação tem implicações de conformidade para as empresas, mas também possibilita às equipas de TI a oportunidade de pesquisarem sobre clientes e mercados.

7 – As organizações de TI vão tornar-se intermediários de serviços de cloud computing

Em vez de as unidades de negócios contratarem serviços de TI baseados em SaaS, a TI encontrará uma forma de agrupar serviços em cloud computing para os negócios, diz Mahowald. Os departamentos de TI vão também realizar serviços de gestão de activos que vão administrar todos os recursos de TI utilizados pela empresa, internos, de plataformas híbridas e disponibilizados em clouds públicas. Isso também vai exigir maior interacção e acompanhamento sobre a actividade dos prestadores, além da negociação e controlo sobre o contrato.

8 – A cloud incomoda e, potencialmente, espanta a força de trabalho de TI tradicional

“Se nós acreditarmos que a mudança está a chegar, as empresas precisam de preparar a sua força de trabalho”, lembra McNally. Qual será, então, o impacto da cloud nos profissionais de TI? Os funcionários da área temem que a nuvem transforme o trabalho de TI numa comodidade.
Os profissionais de TI recém chegados ao mercado de trabalho querem fazer carreira em locais onde possam fazer a diferença e os empregos de TI não parecem oferecer essas hipóteses. Isso pode criar uma discrepância de competências capaz de estimular a terceirização.

9 –Prestadores de serviços devem mudar de modelo

Os fornecedores que estão a adoptar cloud computing, estão no caminho certo ao considerarem a implantação de serviços privados em cloud computing e ao modificarem os seus contratos de licença para migrarem os clientes para esse modelo. Os fornecedores que mantiverem a mesma forma de disponibilizar serviços vão tornar-se a próxima Wang ou Digital Equipment Corporation (DEC, empresas hoje extintas por não conseguiram ver, compreender e adaptar-se à revolução do PC após a emergência de tecnologias cliente/servidor.

10 – Na vaga anterior, as empresas digitalizaram os seus processos.
Agora, algumas vêem valor em oferecer esses processos na nuvem, diz Villers. Como exemplo ele cita a Technicolor, empresa de pós-produção vídeo, cuja actividade por corrigira os som e as cores dos filmes antes de estes serem replicados par exibição no cinema. A Technicolor digitalizou a sua metodologia e foi capaz de oferecer voz e serviços de vídeo num modelo de cloud computing.

11 – Não se consegue evitar a cloud pessoal

Os utilizadores finais já estão a construir as suas próprias plataformas de cloud computing, normalmente acedidas usando dispositivos móveis como smartphones, diz Mahowald. Essas nuvens são importantes para os utilizadores e para o modelo pelo qual eles vão querer receber aplicações da loja virtual. Com a virtualização de desktop, as aplicações móveis e o SaaS, a o as TI podem se adaptar-se às expectativas dos utilizadores.
Nos últimos tempos, os utilizadores finais estão a construir ambientes de cloud pessoais, que constituem uma mistura das aplicações de negócio e pessoais. Os departamentos de TI não conseguem parar essa movimentação e nem o devem tentar. Tal como na revolução dos PC, as pessoas mais bem-sucedidas na próxima geração de TI, baseada em cloud computing, serão as que sabem como equilibrar as necessidades dos utilizadores e da empresa.

12 – Serviços de cloud promovem a inovação

A rápida adopção da cloud computing é mais uma oportunidade para os CIO, executivos de rede e toda a equipa de TI, de conduzirem o negócio de forma mais rápida e económica. Em 2011, a resistência face à cloud computing parece ser em vão.

António Almeida

António Almeida

Licenciado em engenharia Informático e Telecomunicações, mestre em Sistemas e Tecnologias de Informação e doutorando em Informática é um apaixonado por todo o tipo de tecnologia. Apostava na troca de informações e acaba de criar uma rede de informáticos especialistas interessados em tecnologia.

PRÓXIMOS ARTIGOS:

Inscreva-se e Receba Grátis:

  • Últimas Notícias sobre Tecnologia
  • Promoções de produtos e serviços
  • Ofertas e Sorteios de equipamentos
Avaliar Artigo:
[0 Estrelas]

DEIXAR COMENTÁRIO:

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

AVISO:

Todo e qualquer texto publicado na internet através deste sistema não reflete, necessariamente, a opinião deste site ou do(s) seu(s) autor(es). Os comentários publicados através deste sistema são de exclusiva e integral responsabilidade e autoria dos leitores que dele fizerem uso. A administração deste site reserva-se, desde já, no direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de carácter promocional ou inseridos no sistema sem a devida identificação do seu autor (nome completo e endereço válido de email) também poderão ser excluídos.

Categorias:

PROBLEMAS INFORMÁTICOS?
Escolha aqui um serviço!

Este site utiliza cookies para melhorar a sua experiência. Ao continuar a navegar estará a aceitar a sua utilização. Pode consultar mais informação no Centro de Privacidade.