Avião não tripulado português faz sucesso na Europa

O Farnborough Air Show, no Reino Unido, é uma das principais feiras de aeronáutica do mundo.

Tekever está em negociações com Forças Armadas de cinco países para vender o avião de voo autónomo (UAV).
Em Farnborough, uma cidade a cerca de 40 minutos de Londres, Reino Unido, com ruas de passeios largos e casas de dois pisos revestidas a tijolo, a chuva cai desde manhã cedo e raramente dá tréguas.

Ricardo Mendes, presidente da portuguesa Tekever, está sentado no Hall 2 do Farnborough Air Show, em Hampshire, ouve a água que bate no telhado e não esconde a preocupação.

Às 13h45 está marcada mais uma demonstração do AR4 Light Ray e ainda que o avião de voo autónomo (UAV), também conhecido por ‘drone’, não tenha problemas em voar à chuva receia que poucas pessoas saiam para assistir.
O AR4 Light Ray está desmontado na bancada do lado esquerdo do ‘stand’.

Asas, fuselagem e nariz estão espalhadas em frente a um manual de instruções aberto do tipo IKEA, e as peças verde tropa, construídas em fibra de carbono, poderiam ser facilmente confundidas numa loja de brinquedos.

Mas naquela mesa estão quatro anos de investigação, “vários milhões de euros” de investimento e a promessa de meio milhão de facturação por cada kit vendido pela Tekever, e nenhum exército irá comprar apenas um, acredita Ricardo Mendes.
O avião de voo autónomo (UAV na sigla inglesa), três quilos de peso, dois metros entre asas, desenvolvido de raiz pela empresa portuguesa para missões de cariz militar, é o primeiro do género alguma vez autorizado a voar nas demonstrações do Farnborough Air Show, num processo de selecção muito exigente em que muitos dos proponentes ficam pelo caminho.

“Tivemos de mudar as configurações das comunicações para ser admitidos para voar em Farnborough”, explica Ricardo Mendes, salientando que esta capacidade de adaptação é a principal diferença face aos poderosos concorrentes norte-americanos e israelitas que dominam este mercado.

Há quatro anos que a Teveker se dedica ao desenvolvimento de sistemas autónomos para meios aéreos, terrestres e marítimos. Desse trabalho nasceu o AR4 e há mais quatro projectos em vias de ser comercializados.

Quanto ao AUV apresentado em Farnborough, Ricardo Mendes explica que pode desempenhar tarefas como a identificação e vigilância de um determinado alvo, missões de reconhecimento de danos efectuados depois de um ataque ou ser ponto comunicação, uma espécie de antena ‘wireless’ que facilita o contacto entre várias equipas de militares separadas por uma montanha, por exemplo.

Mas o AR4 “não é para agir, não tem armas a bordo”, explica Ricardo Mendes, acrescentando que o desenvolvimento do avião foi feito em parceria com o Exército português, porque é preciso “definir exactamente o que precisa um exército” no terreno.
É certo que para a Tekever a presença no Farnborough Air Show é já uma aposta ganha porque daqui a pouco tempo vai ombrear com alguns dos gigantes da aeronáutica mundial no palco das demonstrações da feira, como o seu novo avião , mas há outros factores de sucesso.

A empresa, que está a negociar com as forças armadas de “mais de cinco países” a comercialização do avião AR4, tem até sexta-feira mais de uma dezena de reuniões para vender a aeronave desenvolvida e produzida a partir de Lisboa. “Dominamos toda a cadeia de valor, a tecnologia, a customização e a produção”, diz Ricardo Mendes. No futuro, “dependendo do que o mercado peça”, é possível que a empresa venha a assinar parcerias para a produção do AR4.

A empresa, que está a trabalhar nos sistemas de comunicação do KC-390, o futuro avião militar da Embraer, por via do consórcio Compass, liderado pela EEA – Empresa de Engenharia Aeronáutica, pretende apresentar depois do Verão uma nova versão do avião de voo autónomo.

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O AR5 Life Ray, desenhado para missões de procura e salvamento (SAR, na sigla inglesa), está já em exposição no Farnborough Air Show, a poucos metros do local de onde à hora marcada, e sem chuva, é lançado o primeiro UAV desenvolvido e fabricado em Portugal.

Constituída em 2001, a Tekever é uma empresa portuguesa de capital privado.

A actividade do grupo centra-se, sobretudo, no desenvolvimento de produtos e serviços nas áreas das tecnologias de informação, aeronáutica, defesa e segurança.

Em Portugal, a empresa produz ainda sistemas de gestão e optimização de operações móveis nas indústrias da energia, telecomunicações e utilidades, bem como equipamentos de comunicação para Forças Armadas e Forças de Segurança.

A Tekever tem apostado na internacionalização e tem escritórios na China, EUA e Brasil, a par de uma vasta rede internacional de clientes e parceiros, segundo a AICEP.

 

O que pensa deste avião e dos portugueses que o construirão?

António Almeida

António Almeida

Licenciado em engenharia Informático e Telecomunicações, mestre em Sistemas e Tecnologias de Informação e doutorando em Informática é um apaixonado por todo o tipo de tecnologia. Apostava na troca de informações e acaba de criar uma rede de informáticos especialistas interessados em tecnologia.

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